O 4º Domingo da Quaresma apresenta-nos em cena dois irmãos, filhos de um pai bondoso (cf. Lc 15,11-32). Um pede-lhe a herança para sair de casa. O outro, uma vez que aquele desobediente regressa e é acolhido pela bondade do seu pai, ressentido não quer entrar na festa.
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Cartaz da Semana
Gaelic blessing (Bênção celta)
Escrito por padretojo
Quarta, 17 Março 2010 00:38
Deep peace of the running wave to you, (Paz profunda da onda que corre, para ti) Deep peace of the flowing air to you,(Paz profunda do ar que flui, para ti)
Neste quarto domingo da Quaresma, escutámos um dos mais belos textos, senão mesmo o mais belo, elaborados por Jesus. Refiro-me à parábola transmitida por São Lucas em 15,11-32. Já lhe demos vários nomes: "os dois filhos", "parábola do filho pródigo", "parábola do pai pródigo", etc., conforme a perspectiva da personagem da qual vestimos a pele. Para esta semana, gostaria de propôr a reflexão a partir da atitude do "dever".
Jesus, Tu que vieste trazer-nos a Salvação, vens-me, hoje, dizer que «nenhum profeta é recebido na sua pátria» (Lc 4,24). Louvo-Te por não teres desistido da humanidade, por teres passado por outras terras e, por meio dos teus Apóstolos, também teres chegado à minha terra. Peço-Te que me ajudes a não Te rejeitar, nesta "terra" que sou eu, por onde também queres continuamente passar e onde, porventura, queres habitar. Ajuda-me a acolher os que em teu nome se dirigem a mim. E que eu saiba acolher a tua Palavra tal qual ela é, sem procurar coisas difíceis a mais do que nela me propões (cf. 2Reis 5,1-15a), mas somente abrir-me ao dom inesgotável que aguarda a minha livre simplicidade. Ámen.
Actualizado em Segunda, 08 Março 2010 08:34
De figueiras estéreis a sarças ardentes
Escrito por padretojo
Terça, 16 Março 2010 17:51
O 3º domingo da Quaresma pôs diante dos nossos olhos duas imagens que, ao mesmo que facilitam a compreensão de um processo psico-espiritual, possivelmente também nos poderão ajudar a fazer um percurso espiritual. Trata-se da relação entre a "figueira estéril" da parábola de Jesus (cf. Lc 13,6-9) e a "sarça ardente" da experiência vocacional de Moisés (cf. Ex 3,1ss). Ambas as figuras nos ajudam a compreender a seguinte tríade que caracteriza o processo de "paixão" que caracteriza a conversão do crente: aceitação-responsabilidade-apelo. Esta tríade tem conexão com os três momentos pedagógicos: experiência do limite, activo assumir da realidade, superação e transformação.
A história de cada um de nós é a história dos primeiros meses, dos primeiros anos de desenvolvimento, onde vulneralbilidades e potencialidades configuraram a pessoa que somos, estruturando-nos e estabelecendo as mediações que contribuíram para um fechamento mais ou menos trágico na ansiedade conflitual ou para uma abertura orientada para o crescimento na autotranscendência. Não estranhe o(a) leitor(a) que afirme que estes dois resultados convivem na pessoa que somos na forma de dialéctica de base, embora cada pessoa possa revelar mais um do que outro como tendência. A "vocação sublime à santidade" joga-se precisamente no equilíbrio da troca de operações entre aquelas operações (fechamento e abertura).